Vereadores suplentes reivindicam cadeiras na Câmara

  • 25/01/2009 15:17
Os seis vereadores suplentes de Campo Grande preparam para sexta-feira (30) às 9 horas no Plenarinho da Câmara de Vereadores uma reunião com a direção dos respectivos partidos. O encontro é uma prévia para a viagem à Brasília (DF), (2 de fevereiro) onde vão tentar convencer deputados e senadores a aprovarem a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que amplia o número de vagas para as Câmaras Municipais.

Estão de dedos cruzados pela PEC os suplentes Toni Ueno (PT do B), Pastor Raimundo (PR do B) e Maria Emília (PMDB), Delei (DEM) e os ex-vereadores Athayde Nery (PPS) e Alex do PT.

Segundo Ueno, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tomou decisão arbitrária em 2004 quando foram reduzidas 8.440 cadeiras do legislativo. Com a PEC, 7.343 vereadores ocuparam postos nas Câmara Municipais.

Em Mato Grosso do Sul, seriam 113 novos vereadores. Na Capital o salário de um vereador é de R$ 9 mil.

O ato em Brasília está previsto para o dia 2 de fevereiro, quando estarão na capital federal 3 mil suplentes, segundo estimativa de Ueno.

Argumentos

Com 3.070 votos, Toni Ueno (PT do B) é suplente dos vereadores eleitos Carlão e Flávio César. Segundo Ueno, o aumento do número de legisladores não implicaria em desperdício de dinheiro público já que o duodécimo (recurso previsto nos cofres municipais) se manteria sem alterações.

Segundo ele, a população de Campo Grande, por exemplo, cresceu ao longo dos últimos 20 anos e saltou dos 100 mil para cerca de 700 mil habitantes sem que o número de representantes na Câmara aumentasse. Hoje, a Casa de Leis tem 21 parlamentares e historicamente legisla afinado com o Executivo.

Para Ueno, o debate respinga na representatividade da Casa que para ele, está bem longe do povo. “Não há como os 680 bairros sejam visitados com tão pouco vereadores. Estamos preparando a Copa do Mundo e a Câmara precisa de representatividade”.

“Rochedo tem 9 vereadores, Ponta Porã tem 45 mil e tem dez vereadores. Veja a distorção. Se não pressionar o Congresso, as coisas não acontecem”, diz Ueno.

Chinaglia

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai enviar essa semana a resposta para a consulta do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que aumentou em 7.343 o número de cadeiras de vereadores em todo o país.

Chinaglia pretendia já ter enviado a resposta na última semana, mas, segundo o secretário-geral da Mesa Diretora, Mozart Vianna, concordou em aguardar mais um pouco pelo estudo que está sendo preparado pela equipe que assessora a Mesa. No dia 20 de dezembro, o ministro do STF Celso de Mello, relator da matéria no STF, pediu informações ao presidente sobre a recusa da Câmara em promulgar a proposta.

Os advogados da Câmara preparam argumento afirmando que o Senado extrapolou suas atribuições porque, apesar de outras PECs já terem sido promulgadas parcialmente, neste caso a dos Vereadores, a mudança feita pelos senadores no texto foi de mérito. Segundo os especialistas, o texto aprovado pela Câmara é diferente daquele elaborado pelo Senado.

A crítica se deve à modificação de parte do texto em relação a eventuais gastos decorrentes da criação das vagas. Para os deputados, era fundamental garantir que as despesas, com a implementação da PEC dos Vereadores, não seriam elevadas, já os senadores autorizaram o aumento de gastos. Controvérsias No final do ano passado, Chinaglia, com o apoio dos demais integrantes da Mesa Diretora da Câmara, decidiu não assinar a proposta aprovada pelo Senado.

Só faltava a promulgação, uma vez que a matéria já tinha passado pela Câmara. Para os deputados, os senadores modificaram substancialmente o texto, ao suprimir o artigo 2 da PEC, que reduzia em 0,5% os percentuais das receitas municipais que se pode destinar às Câmaras de Vereadores --uma economia de R$ 1,5 bilhão. Mas o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), interpretou a decisão de Chinaglia de outra forma e determinou o ingresso de um mandado de segurança no STF para que a Corte conceda uma liminar que obrigue a Câmara a assinar a PEC.

Pelo documento do Senado, a decisão da Câmara fere a Constituição porque a Casa não tem o direito de vetar a promulgação de uma PEC, uma vez que ela foi aprovada em dois turnos pelas duas Casas Legislativas.

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